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El Niño e os preços de energia: por que o fenômeno pode mexer com o mercado elétrico brasileiro?

há 5 dias
5 min de leitura


Quando se fala em El Niño e energia, é comum resumir a relação em uma frase: menos chuva significa menos água nos reservatórios, maior uso de termelétricas e energia mais cara.


O raciocínio faz sentido, mas é incompleto, porque o El Niño não provoca seca em todo o Brasil. Enquanto algumas regiões podem enfrentar chuvas abaixo da média e temperaturas mais altas, outras tendem a receber volumes maiores de precipitação. Além disso, o sistema elétrico brasileiro mudou. As hidrelétricas continuam fundamentais, mas eólicas e solares ganharam muito espaço na geração.


Por isso, para entender como o El Niño pode afetar o preço da energia, precisamos olhar para o Brasil inteiro e, principalmente, para onde estão as chuvas, os reservatórios, os ventos e a geração.


O El Niño já influencia as condições climáticas brasileiras e o próprio Operador Nacional do Sistema Elétrico criou uma frente específica para acompanhar seus possíveis efeitos sobre a operação do Sistema Interligado Nacional. E há muitos motivos para isso.


A água ainda tem um peso enorme na formação do preço da energia.


Apesar da diversificação da matriz elétrica, o Brasil continua bastante dependente da hidrologia. Segundo o Balanço Energético Nacional 2026, da EPE, a fonte hidráulica respondeu por 51,7% da geração elétrica brasileira em 2025. Foram mais de 400 TWh produzidos por essa fonte.


Por isso acompanhar chuva e reservatórios ainda é tão importante para quem acompanha os preços de energia. Quando existe bastante água disponível, o sistema consegue utilizar mais intensamente as hidrelétricas, que possuem baixo custo operacional. Quando a expectativa de água piora, é necessário administrar os reservatórios com mais cautela e outras fontes podem precisar ocupar um espaço maior. Entre elas, as termelétricas, que geralmente possuem custos de operação mais elevados.


Essa mudança na composição da geração pode elevar o Custo Marginal de Operação e influenciar o PLD, o Preço de Liquidação das Diferenças, uma das principais referências do Mercado Livre de Energia.


El Niño não significa falta de chuva no Brasil inteiro


O fenômeno altera a circulação da atmosfera e muda a distribuição das chuvas pelo país. E o padrão já está aparecendo. O INMET aponta aumento das precipitações no Sul, enquanto Norte e Nordeste tendem a registrar redução das chuvas. Entre setembro, outubro e novembro de 2026, o Cemaden indica maior probabilidade de chuva acima da média no Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, são esperadas chuvas abaixo da média no Norte, Nordeste e em áreas do Brasil Central e do Sudeste.


No Sul, mais chuva pode favorecer a geração hidrelétrica


O Sul costuma ser uma das regiões brasileiras mais claramente influenciadas pelo El Niño. O fenômeno favorece chuvas acima da média e aumenta inclusive o risco de episódios extremos.


Do ponto de vista energético, mais chuva pode significar aumento das vazões dos rios e condições mais favoráveis para as hidrelétricas da região. Mas chuva acima da média não significa automaticamente geração maior. Importa onde ela cai, por quanto tempo, em qual intensidade e quanto dessa precipitação efetivamente chega aos rios e reservatórios. Eventos extremos também podem provocar problemas operacionais e danos à infraestrutura.


Por isso, no setor elétrico, milímetros de chuva isoladamente dizem pouco. O que interessa é quanto essa chuva se transforma em vazão e energia armazenável.


Norte e Nordeste contam outra história


Enquanto o Sul pode receber mais água, o El Niño tende a produzir condições mais secas em boa parte do Norte e do Nordeste. Isso merece atenção porque importantes bacias hidrográficas brasileiras estão nessas regiões. O cenário de 2026 já levou órgãos federais a acompanhar com atenção rios como Madeira, Tocantins, Xingu e São Francisco. Menos chuva nessas áreas pode reduzir vazões e limitar a geração hidrelétrica regional.


E o vento? El Niño também pode interferir


Esse é um ponto que muitas análises sobre El Niño e energia deixam de lado. Hoje não é mais possível discutir o sistema elétrico brasileiro olhando apenas para os reservatórios. Em 2025, a geração eólica brasileira atingiu 116,5 TWh, crescimento de 8,2% em apenas um ano, e grande parte da geração eólica está justamente no Nordeste.


O El Niño altera padrões de circulação atmosférica e, portanto, pode influenciar também o comportamento dos ventos. O impacto, porém, não é tão simples ou uniforme quanto a conhecida relação entre El Niño e chuva no Sul. Essa diversificação torna a análise mais complexa, mas também reduz a dependência brasileira de uma única fonte.


Sudeste e Centro-Oeste são regiões especialmente importantes para acompanhar


No Sudeste e no Centro-Oeste, a relação com o El Niño é menos direta. E isso importa muito para a energia porque o Sudeste e Centro-Oeste concentram reservatórios estratégicos para o Sistema Interligado Nacional. Uma sequência de meses com afluências ruins nessas bacias pode ter muito mais importância para o preço da energia do que simplesmente saber que o volume total de chuva no Brasil aumentou.


É por isso que duas manchetes aparentemente contraditórias podem estar corretas ao mesmo tempo: o Brasil pode enfrentar chuvas extremas em uma região e, ainda assim, existir preocupação com a situação hidrológica do sistema elétrico.


Temperaturas mais altas também entram nessa conta


Existe ainda outro efeito que não passa pelos reservatórios. O El Niño costuma favorecer temperaturas mais altas e as projeções confirmam temperaturas acima da média em grande parte do país.


Calor significa maior utilização de ar condicionado e sistemas de refrigeração e isso pode elevar a carga do sistema. Portanto, o fenômeno pode atuar nos dois lados da equação. De um lado, altera as condições de geração. Do outro, pode aumentar a demanda por eletricidade.


Então o El Niño vai aumentar o preço da energia?


O El Niño não é sinônimo automático de energia cara. O preço depende de uma combinação de fatores. Chuvas favoráveis em bacias importantes pode produzir um cenário completamente diferente de outro episódio em que os reservatórios estratégicos recebam pouca água.


O que isso significa para empresas no Mercado Livre de Energia?


Para uma empresa, acompanhar o El Niño não significa tentar prever se vai chover no mês que vem, mas entender como as mudanças climáticas estão alterando as expectativas do mercado.


Se as projeções indicam piora das condições para geração de energia, o mercado pode incorporar essas expectativas aos preços futuros. Se as condições melhoram, o movimento pode ocorrer na direção contrária. E os preços podem reagir antes mesmo de o problema efetivamente aparecer.


É por isso que uma empresa no Mercado Livre de Energia não deveria decidir quando e por quanto tempo contratar energia apenas olhando o preço quando o contrato está acabando, porque o momento da contratação, o prazo do contrato, o volume contratado e a exposição futura precisam considerar o cenário energético como um todo.


E para empresas que gastam dezenas ou centenas de milhares de reais com energia todos os meses, interpretar corretamente esse cenário pode fazer diferença no custo dos próximos anos.


A Spirit Energia acompanha as condições hidrológicas, os preços e os movimentos do setor para transformar essas informações em estratégia de contratação para seus clientes.


Se a sua empresa gasta mais de R$ 10 mil por mês com energia, fale com a Spirit Energia pelo (47) 99183-7542 e entenda como uma gestão especializada pode ajudar a reduzir riscos e aproveitar oportunidades no Mercado Livre de Energia.

 
 
 

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